Lazáro Tôrres
Depoimentos
Para além da fotografia, sua paixão pelo cinema e pela literatura fica muito visível em suas imagens, que são carregadas de narrativa e ângulos inusitados.
Lázaro combina o que há de melhor da fotografia moderna baiana com uma busca em fazer diferente: ao mesmo tempo que explora as festas populares, retratos anônimos, busca pontos de vista contemplativos de uma forma que nos deixa em dúvida se a cena não foi meticulosamente construída, como em um set de cinema.
Para além da qualidade de seu acervo, as imagens nos presenteiam com um pouco mais da história da Bahia, trazendo imagens de festejos, eventos, arquitetura e personas que as compõem.
Agradeço imensamente o encontro com as fotografias de Lázaro e a possibilidade de me debruçar em seu universo, criando um canal para lançar as suas construções para que o mundo o conheça.
Nas palavras de Lázaro: “Fotografia não é só o que vocês já viram, é também o que faremos vocês verem daqui por diante”.
Patrícia Martins
Artista visual, mestra em Artes Visuais
_HEIC.png)

Diário de Notícias
18 de abril de 1971

O nome de Lázaro Tôrres se encontra ao lado de alguns artistas que nos meados dos anos 1960, na Bahia, viram na fotografia uma forma de expressão.
Tôrres, assim como seus contemporâneos, propõe através da fotografia uma imersão no significado das coisas pretendendo extrair, por meio de suas imagens, um significado de mundo.
Suas fotografias revelam uma tentativa de interpretar questões relativas ao sentido da vida em um gesto fugaz, que não se repete, no dia a dia da cidade ou no rosto de seus retratados. Nesse curso, nos deparamos com a vivacidade de seus motivos, pessoas que aparentam estar, quase sempre, de passagem, envolvidas em seus destinos transitórios.
Através de um olhar que percebe o cotidiano e ao mesmo tempo o desafia, Tôrres trouxe para o instante capturado um mergulho temporal indivisível, elaborando uma relação íntima entre imagem e ação, despertando, assim, um sentimento de ver mais. De certo, sua experiência cinematográfica contribuiu para uma procura incessante da sequência do movimento, mesmo conhecendo a natureza fragmentada do meio fotográfico. A impressão do instante é vivenciada no intervalo onde está contido simultaneamente a ideia de passado, presente e futuro, e em suas imagens a experiência estética moderna do instantâneo se evidencia.
Suas fotografias ultrapassam a visão documental do fato transformando-a em algo particular, curioso; nada passa despercebido ao seu olhar. A cultura baiana está entranhada em suas imagens nas manifestações religiosas que muitas vezes aparecem de modo incomum. Percebe-se uma influência vanguardista com tomadas em ângulos superiores e inferiores, cortes oblíquos, uma ênfase no aspecto espacial da imagem, que lembra artistas como Moholy-Nagy e Alexander Rodchenko, por exemplo.
Certamente, o acervo de Lázaro Tôrres representa parte da riqueza da cultura baiana registrada por um olhar sensível e criativo.
Telma Cristina Damasceno Silva Fath
Doutora em Artes Visuais

Tribuna da Bahia
20 de março de 1971


Jehová de Carvalho
Catálogo da Galeria 114, em 1968
