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FESTAS / ENCONTROS RELIGIOSOS

Durante os anos 1970, sob o regime da ditadura militar, Lázaro Tôrres — comunista, artista e ativista — voltou sua atenção para os terreiros de candomblé, os quais enfrentavam intensa estigmatização e perseguição, que marcaram esse período. Em diálogo com importantes mães de santo da Bahia, como Mãe Mirinha de Portão, Mãe Stella de Oxóssi, Mãe Menininha do Gantois e Mãe Senhora de Oxum, registrou com respeito e delicadeza os rituais, espaços sagrados e cotidianos dos terreiros, contribuindo para a valorização e visibilidade dessas tradições. Seu trabalho fotográfico nesse campo tem um caráter de denúncia, resistência e também de reparação simbólica, ao apresentar imagens que rompem com o imaginário racista e demonizador difundido pela elite e pelo Estado. Esse conjunto forma uma das partes mais relevantes do acervo, não apenas pelo valor histórico e etnográfico, mas pelo gesto político de dar visibilidade a práticas e lideranças religiosas fundamentais da cultura afro-brasileira. Sua fotografia ultrapassa o registro documental e assume o papel de testemunha ativa da história e das lutas de um povo.

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